sexta-feira, 29 de maio de 2009

Quase Memórias



15 – Capítulo final

O resto do caminho não foi difícil. Num pardieiro abandonado nos arredores da aldeia de la Lagosera encontraram o resto do grupo.
A noite começava a cair mas Dolores pensou que o tiroteio tivesse alertado a guarda ou tivesssem encontrado os cadáveres. Assim, disse ela, apesar do cansaço vamos conduzi-los até perto da fronteira Portuguesa.
O Chico colocou a Aparecida às cavalitas fizeram a coluna que marchou por uma vereda sem sinais de passagens recentes . À frente Rámon indicava o caminho e marcava um andamento acelerado. Parou ao fim de quatro horas de marcha, noite cerrada mas sem nevoeiro, chamou Dolores e o António e duma pequena elevação apontou à distância uns raios de luz. Ali é uma aldeia Portuguesa cujo nome não recordo. Mas sei que fica perto de outra maior que tem o nome de Arronches. Para lá chegarem seguem uma ribeira que irão encontrar dentro de meia hora de caminho. O resto do caminho é com vocês.
A mulher olhou para os dois irmãos, fez uma tímida carícia na cabeça das crianças e disse. Vá, daqui em diante não vão precisar da nossa ajuda. Oxalá tudo vos corra bem mas lembrem-se de nós e de outros que continuam a lutar e a morrer em nome da República.
António abraçou comovido os companheiros começou a andar, parou voltou atrás e perguntou: O que vai ser de vocês, o que tencionam fazer?
Dolores encolheu os ombros dizendo. Nós vamos tentar chegar a Madrid. São mais de quatrocentos kilómetros de distância em zona inimiga. Mas é em Madrid que tudo se irá resolver. Lutaremos ao lado dos nossos irmãos e se tivermos de morrer, pois morreremos. Mas de pé, de armas na mão e de cabeça erguida.
Nota do autor:
“Quase memórias” é ficção, mas inclui factos baseados em histórias que guardei e que me foram transmitidas por meu Pai.
Como se sabe, a guerra civil de Espanha foi a última guerra romântica. Lutaram ao lado da República, escritores, intelectuais e artistas de todo o mundo.
Mas foi mais, foi o prelúdio de uma época de trevas que se abateu sobre a Europa.

Em memória de meu Pai
J.Ariemal
29 de Maio de 2009



J.Ariemal

2009/04/25

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