
11 – A retirada
Os dois irmãos estavam a dormitar quando deram pela agitação do grupo.Dois guerrilheiros, que faziam de sentinelas avançadas numa das encostas da serra,acabavam de entrar na gruta.
Segredaram qualquer coisa ao Manuel este levantou-se e foi chamar a Dolores que repousava num recanto. O exército está a começar a subir a serra. E são muitos pois lá no vale estavam paradas 4 camionetas e outros soldados a montarem os morteiros. Não tarda devemos estar a ser atacados, dizem os sentinelas.
Manuel vem comigo e com estes dois camaradas para avaliar-mos a situação, decidiu a mulher.
E lá foram ao ponto de vigia que lhes permitia ver o movimento da tropa. Confirmaram o que os vigias haviam dito, e voltaram ao esconderijo.
A mulher que decididamente comandava a guerrilha deu ordens para reunir o grupo.
A nossa posição deve ter sido comunicada aos fascistas porque estão de facto e montar posições de ataque. Alguém nos denunciou mas isso iremos averiguar mais tarde. Agora é tempo de decisões. Assim e porque não temos capacidade para resistir a um ataque em força vamos activar o programa de retirada que já temos elaborado mas com pequenas alterações.
Dividimo-nos em dois grupos. O Manuel tu comandas o primeiro grupo que será constituído pelo Severino o Pablo o Alberto o Juan o Manolo o Diego e o Perez e com a Mercedes e a Rosário. Pegam nas armas e nas munições e começam a descida por aquele carreiro que está assinalado no mapa. Evita o contacto com o inimigo até se aproximarem da estrada principal. Aí montarás uma emboscada a uma coluna de reabastecimento de modo a que consigas tomar o controlo de uma ou duas viaturas de transporte. Vestem a roupa dos soldados que capturarem e como o Juan e o Alberto sabem conduzir, fazem-se à estrada que segue na direcção de Madrid. No local que te assinalei no mapa viras à direita e tentas alcançar Ciudad Rodrigo. Aí encontrarás forças governamentais a quem se podem juntar para continuarem a lutar. Se seguirem com cuidado e com confiança vão conseguir.
E aos soldados capturados o que fazemos, perguntou um dos homens. Ora os que não oferecerem luta desarma-os e prende-os longe da estrada. Coloquem mordaças para que eles não possam gritar por socorro. Em algum momento hão-de ser salvos e quanto mais tarde melhor para vocês. Se forem mouros ou legionários, não tenham piedade executem-nos e escondam os cadáveres.
Eu, o Carlos o Fadagosa e o Ramón partiremos algum tempo depois. Vamos abrigar-nos dos tiros de morteiro e de artilharia e da trincheira que conhecemos responderemos ao fogo inimigo com rajadas da metralhadora de 50 mm. Quando eles sentirem o vigor da nossa reacção procurarão abrigo e aguardarão reforços ou bombardeamentos aéreos.
Nessa altura já nós com estes dois amigos estaremos no trilho de evacuação não sem antes minar e armadilhar as entradas do esconderijo.
Manuel prepara o teu grupo e parte. Voltaremos a encontra-nos, pergunta este? Não sei mas confio em todos e sentirei a vossa falta. Posso garantir que tudo farei para nos reunir-mos na defesa de Madrid. Será aí que se vai decidir esta maldita guerra.
J.Ariemal
(continua)

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