
PLAY TIME
Era uma vez um País de gente anafada, ambiciosa, indolente mas sobretudo habilidosa.
Uma elite com os mesmos predicados mas com superior espírito de iniciativa
decidiu brincar e estudar a construção de uma pirâmide tão grande que fizesse corar de vergonha os monumentos do Antigo Egipto.
Reunidos num dos resort de luxo, entregaram ao gabinete de projectos “Finance Capital,inc.” a elaboração de um ante-projecto de construção da pirâmide, exigindo que ela fosse diferente do que se conhecia.
O gabinete elaborou os estudos prévios que previam a construção de uma pirâmide invertida. A base de sustentação seria um exercício de equilibrio entre uma base de reduzidas dimensões e o seu crescimento em altura a largura. Era um projecto arriscado, engraçado, mas com estimativa de lucros fabulosos pelo que o ante-projecto foi rápidamente aprovado.
Não era um esquema verdadeiramente inédito, porque já alguém se atrevera a este tipo de construção mas a sua dimensão e complexidade transformava-o num desafio. A construção foi entregue ao “International Investements Fund,” empresa do grupo “ Free Market and Private Equity Org.”
Para racionalizar custos e maximizar os lucros a pirâmide deveria ser construída sem alicerces estruturada em milhões de contratos de hipoteca sobre casas, por sua vez desdobrados em inúmeros produtos derivados, hedging funds, titularização de dívida pública, warrants, obrigações de alto risco, contratos de financiamento à compra de armamento, acordos para o financiamento da montagem de lavandarias adequadas ao tratamento do pó branco, vindo directamente das melhores refinarias.
Juntaram-se uns especialistas em manipulação de cotações, analistas de mercado, professores de finanças e outros espertos da moda para de papel em papel, uns sobre os outros, ligados por uma teia de mentiras, desleixos e incompetências construirem o plano de negócios, ou seja a pirâmide. Começaram a inundar o mercado com produtos inovadores que garantiam uma retribuição muito acima do habitual. A rede de comercialização foi entregue a grupos bancários, companhias de seguros e a uma bem montada rede de “brokers”.Cresceu e internacionalizou-se. A experteza de alguns, a ganância de muitos e a saloisse de muitos mais forneceram a massa crítica indispensável ao desenvolvimento do negócio.
Os resultados não podiam ser melhores. Era um fartote de ganhar dinheiro com base em produtos que já ninguém sabia quanto valiam e onde estavam no meio da embrulhada, mas isso não era sequer importante.
O conceito assim tão inovador e de sucesso despertou o interesse dos empreendedores de outros Países e a fórmula mágica da construção da pirâmide foi-se disseminando e novas obras nasceram e cresceram.
Até que um belo dia, por descuido ou menor cuidado das Autoridades competentes, uma criança se aproximou da pirâmide principal e puxou um papel com números cheios de zeros.
Imediatamente a pirâmide começou a oscilar.
Os construtores alarmados reuniram-se de imediato com os consultores habituais. Que papel era este que ameaçava a construção, perguntavam? Os especialistas em engenharia financeira analisaram o raio do papel que mais não era do que um produto derivado sobre hipotecas cujo valor estava mais de cinquenta por cento acima do valor real das casas.
Era uma vez um País de gente anafada, ambiciosa, indolente mas sobretudo habilidosa.
Uma elite com os mesmos predicados mas com superior espírito de iniciativa
decidiu brincar e estudar a construção de uma pirâmide tão grande que fizesse corar de vergonha os monumentos do Antigo Egipto.
Reunidos num dos resort de luxo, entregaram ao gabinete de projectos “Finance Capital,inc.” a elaboração de um ante-projecto de construção da pirâmide, exigindo que ela fosse diferente do que se conhecia.
O gabinete elaborou os estudos prévios que previam a construção de uma pirâmide invertida. A base de sustentação seria um exercício de equilibrio entre uma base de reduzidas dimensões e o seu crescimento em altura a largura. Era um projecto arriscado, engraçado, mas com estimativa de lucros fabulosos pelo que o ante-projecto foi rápidamente aprovado.
Não era um esquema verdadeiramente inédito, porque já alguém se atrevera a este tipo de construção mas a sua dimensão e complexidade transformava-o num desafio. A construção foi entregue ao “International Investements Fund,” empresa do grupo “ Free Market and Private Equity Org.”
Para racionalizar custos e maximizar os lucros a pirâmide deveria ser construída sem alicerces estruturada em milhões de contratos de hipoteca sobre casas, por sua vez desdobrados em inúmeros produtos derivados, hedging funds, titularização de dívida pública, warrants, obrigações de alto risco, contratos de financiamento à compra de armamento, acordos para o financiamento da montagem de lavandarias adequadas ao tratamento do pó branco, vindo directamente das melhores refinarias.
Juntaram-se uns especialistas em manipulação de cotações, analistas de mercado, professores de finanças e outros espertos da moda para de papel em papel, uns sobre os outros, ligados por uma teia de mentiras, desleixos e incompetências construirem o plano de negócios, ou seja a pirâmide. Começaram a inundar o mercado com produtos inovadores que garantiam uma retribuição muito acima do habitual. A rede de comercialização foi entregue a grupos bancários, companhias de seguros e a uma bem montada rede de “brokers”.Cresceu e internacionalizou-se. A experteza de alguns, a ganância de muitos e a saloisse de muitos mais forneceram a massa crítica indispensável ao desenvolvimento do negócio.
Os resultados não podiam ser melhores. Era um fartote de ganhar dinheiro com base em produtos que já ninguém sabia quanto valiam e onde estavam no meio da embrulhada, mas isso não era sequer importante.
O conceito assim tão inovador e de sucesso despertou o interesse dos empreendedores de outros Países e a fórmula mágica da construção da pirâmide foi-se disseminando e novas obras nasceram e cresceram.
Até que um belo dia, por descuido ou menor cuidado das Autoridades competentes, uma criança se aproximou da pirâmide principal e puxou um papel com números cheios de zeros.
Imediatamente a pirâmide começou a oscilar.
Os construtores alarmados reuniram-se de imediato com os consultores habituais. Que papel era este que ameaçava a construção, perguntavam? Os especialistas em engenharia financeira analisaram o raio do papel que mais não era do que um produto derivado sobre hipotecas cujo valor estava mais de cinquenta por cento acima do valor real das casas.
Como tratamento recomendaram reequilibrar a pirâmide injectando dinheiro no núcleo.
Foi uma solução que apenas adiou o desmoronamento. Alguém pôs a boca no trombone, o pânico espalhou-se e o estrondo com a ruína ouviu-se em todo o mundo. Tocaram os alarmes. Toca a injectar mais dinheiro mas era tarde demais.
Foi uma solução que apenas adiou o desmoronamento. Alguém pôs a boca no trombone, o pânico espalhou-se e o estrondo com a ruína ouviu-se em todo o mundo. Tocaram os alarmes. Toca a injectar mais dinheiro mas era tarde demais.
A criança havia criado com o seu gesto o colapso da construção e a tragédia consumou-se. Afinal a pirâmide não passava de uma torre de Babel assente em qualquer coisa que já ninguém sabia exactamente o que era.
Em todo o mundo, os ratos, sempre previdentes, foram os primeiros a saltar e esconderam-se a bom recato em lugares exóticos.
Os gananciosos converteram-se em ingénuos e foram logo a correr gritar por ajuda. Bateram à porta das Autoridades que afinal, veio a saber-se mais tarde, nunca tinham reparado na estranha pirâmide que lhes crescera nas barbas, e pediram a garantia do reembolso das suas poupanças. Diga-se em abono da verdade que com o desmoronamente haviam perdido dois terços das suas fortunas e não fora o cuidado de manterem em bom recato alguns milhares de milhões estariam nas ruas a pedir esmola.
Os lorpas ficaram para o fim. Lorpas eram e lorpas hão-de ser. Sempre assim foi ao longo dos tempos. Afinal eles são indispensáveis para pagarem a pirâmide e a próxima construção, porque mais tarde ou mais cedo “the show must go on”.
J. Ariemal
Em todo o mundo, os ratos, sempre previdentes, foram os primeiros a saltar e esconderam-se a bom recato em lugares exóticos.
Os gananciosos converteram-se em ingénuos e foram logo a correr gritar por ajuda. Bateram à porta das Autoridades que afinal, veio a saber-se mais tarde, nunca tinham reparado na estranha pirâmide que lhes crescera nas barbas, e pediram a garantia do reembolso das suas poupanças. Diga-se em abono da verdade que com o desmoronamente haviam perdido dois terços das suas fortunas e não fora o cuidado de manterem em bom recato alguns milhares de milhões estariam nas ruas a pedir esmola.
Os lorpas ficaram para o fim. Lorpas eram e lorpas hão-de ser. Sempre assim foi ao longo dos tempos. Afinal eles são indispensáveis para pagarem a pirâmide e a próxima construção, porque mais tarde ou mais cedo “the show must go on”.
J. Ariemal






